8 de outubro de 2013

Profecias paraibanas- de Roberto Cavalcante

“O Sertão vai virar mar” - essa é uma profecia que todo nordestino, independente de extrato social ou cultural, já ouviu e reproduziu ao longo da vida. A novidade é que o mar, de fato, está a meio caminho de - finalmente - desembocar no Sertão.
Obviamente não estou vaticinando no sentido literal. Até porque seria preciso alterar toda a fisionomia do mundo, em um processo tão catastrófico quanto o que julgamos ter ocorrido na era jurássica, para que as ondas que banham Cabedelo se desloquem até Cachoeira dos Índios.
Metaforicamente, porém, nem mesmo mais uma seca pode barrar o cumprimento da profecia. As terras que têm o melhor sol do mundo também vão ter água.
E embora a espera tenha sido mais longa do que nossa paciência agüenta, a água (acredite) chegará, pois a Transposição é fato irreversível - seja em função do adiantado da obra; seja em função das pressões políticas e sociais.
E assim que a água jorrar pelos canais da Transposição, todos os nossos rios estarão perenizados - desde a Serra do Jabitacá em Monteiro até Cabedelo, viabilizando irrigações e investimentos agropecuários.
E quando isso acontecer (e vai acontecer), certamente deixaremos de lamentar pelo o que nos faltava e passaremos a reparar naquilo que nos abunda. Estou falando (claro) do sol - que nasce primeiro na Paraíba, por aqui permanece intenso na maior parte do ano e, ainda que reine desapercebido, é sem dúvida nossa maior riqueza.
Nossa oferta de luz solar abre imensas possibilidades, entre as quais se destaca a geração de energia elétrica.
Não é, acredite, pouca coisa. Há muito tempo a energia solar deixou de ser uma alternativa hipotética para se transformar em uma aposta verossímil na geração de energia elétrica limpa, conforme testemunhei em recente viagem pela Península Ibérica, entre Lisboa e Madri.
É absolutamente surpreendente o que já está implantado de usinas de energia solar naquela região.
Não se trata, em absoluto, de experiências laboratoriais - o que nos remete ao fato de que, neste terreno (o laboratório), a Paraíba saiu na frente, realizando experiências de geração solar há mais de quarenta anos.
Se vai ou não colocar estas experiências em ação, é uma questão de decisão política. Todas essas possibilidades, porém, mostram de forma inequívoca que a transformação que o Brasil assiste no Nordeste é real. E a Paraíba faz parte desta nova e promissora realidade, asfaltada por essa dupla ação: sol e solo rico e irrigado – elementos que, juntos, permitirão nosso desenvolvimento. Ou seja: desaguarão o mar aludido em prosa e poesia, inundando nosso Sertão de prosperidade.

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