9 de outubro de 2013

Ideologia x escolha de partido- Roberto Cavalcante

Roberto CavalcantiQuando o filósofo Destutt de Tracy cunhou o termo, em 1801, tratou ideologia como a ciência das idéias – de onde derivariam tantas outras ramificações, moldadas no formato das doutrinas de cada tempo.
Uma das contribuições mais marcantes para a significância do termo veio de Karl Marx, que a trataria como um instrumento de alienação para mascarar a realidade.
Marx – é óbvio – jamais conheceu nossos políticos. Mas as negociações frenéticas (e nada republicanas) que antecederam o final do prazo de filiações partidárias para quem deseja concorrer a cargo público em 2014 bem que poderiam ter inspirado o revolucionário alemão em suas visões críticas sobre ideologia.
O que assistimos é mais do que uma tentativa de mascarar interesses, mas uma grande encenação - um teatro político que, de tão promíscuo, poderia se encaixar como uma luva na lavra da pornochanchada.
Os ideais partidários, que recheiam os estatutos, são panos de fundo (dificilmente utilizados) em um jogo marcado pelo oportunismo.
E, ao contrário do que prega a maioria, não creio que a quantidade de partidos seja o maior de nossos problemas. Não é, pelo menos, a questão central. Pois o xis da questão que o Brasil precisa equacionar não passa pela redução da inacreditável marca de 32 partidos e sim a “camaleônica” capacidade do político nacional de se adequar a qualquer estatuto e qualquer ideal partidário para viabilizar sua eleição.
Não podemos ter bancadas qualitativas, frutificadas a partir desse oportunismo. Nem gestores interessados em atacar as demandas mais agudas da população quando suas eleições foram concretizadas fora de qualquer eixo ideológico.
Assim como não foram norteados por qualquer ideal para chegar lá, também não votarão nem agirão de acordo com o interesse público. Pois quando não existe compromisso, impera o imediatismo – via expressa para as negociatas, o usufruto exclusivo do cargo público em benefício pessoal e a corrupção.
Para quem, como eu, foi forjado na briga ideológica entre a UDN e PSD, assistir um processo desses é desalentador: afinal, diante de tanto individualismo, do desesperado salve-se quem puder e da escancarada falta de compromisso com qualquer ideário, o que podemos esperar?
Não é preciso ter o gênio de um Marx para saber o que vamos colher das urnas de 2014:
Mais representações medíocres, mais gestores pífios, mais fraudes políticas e mais corrupção

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