A Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro foi o grande alvo dos protestos da noite desta segunda-feira (7). A instituição confirmou, por meio de nota à imprensa, que os manifestantes jogaram, pelas janelas, galões de gasolina para incendiar o prédio.Ainda não se sabe quais foram todos os estragos causados além da porta vandalizada e da sala de cerimonial que ficou parcialmente destruída. Segundo a nota, os guardas municipais responsáveis pela segurança conseguiram impedir a invasão da casa. Na terça-feira, não haverá expediente na Câmara para que possam ser levantados os prejuízos durante a realização de uma perícia.
Carona de ônibus
Um dos confrontos que aconteceram entre a polícia e os manifestantes se deu no cruzamento da avenida Mem de Sá com a rua Gomes Freire. Um grupamento do choque deteve cinco manifestantes. Para conduzi-los até a 5ª DP, delegacia da região, um policial que era chamado pelo grupo de "Comandante Lemos" parou um ônibus de linha (507 Silvestre).O "comandante" pediu ao motorista que levasse os cinco detidos mais cinco policiais e dois advogados da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) para a delegacia.
Os outros manifestantes do grupo se sentaram na rua para impedir que o ônibus os levasse. Houve confronto ali mesmo. O choque conseguiu deter os manifestantes após bombas de efeito moral e balas de borracha.
O motorista do carro A72116 da empresa Transurb deu ré e saiu pela avenida Mem de Sá, seguindo para a delegacia.
Ônibus e prédios vandalizados
Pelo menos cinco ônibus sem passageiros foram sequestrados e vandalizados por grupos de manifestantes mascarados, identificados como Black Blocs. Três deles foram deixados na avenida Rio Branco -- todos foram vandalizados, sendo que um foi incendiado. Os outros dois foram encontrados na Lapa: um na rua Maranguape e outro no Passeio.Segundo o motorista Herique Santos Souza, que estava no ônibus que foi queimado, os manifestantes que sequestraram o veículo pretendiam jogá-lo sobre a entrada de um prédio comercial. "O mascarado falou para mim que meu ônibus ia virar estatística", contou Souza.
Além da Câmara, a reportagem do UOL observou depredação nos arredores da Cinelândia. Ao menos duas agências bancárias foram depredadas (uma na Evaristo da Veiga e outra próxima à avenida 13 de maio).
Os manifestantes atacaram o consulado americano, que teve suas janelas quebradas. A tropa de choque usou bombas de gás e de efeito moral para dispersar os manifestantes.
A entrada do edifício Serrador, sede da empresa de Eike Batista, ficou totalmente destruída. O grupo que depredou o prédio usou seus próprios tapumes para quebrar as vidraças.
Policiamento menos ostensivo
No começo dos protestos, a PM (Polícia Militar) teve uma atitude mais tímida, sendo difícil de avistar o contingente policial no percurso entre a Candelária, de onde partiu a passeata, até a Cinelândia. O número de policiais (500) também foi menor que o da semana passada (700) no dia em que houve um confronto mais violento com os manifestantes.Quando um grupo de mascarados pichava a parede lateral da Câmara dos Vereadores, por exemplo, a PM não reagiu. Ela só entrou em ação, com suas guarnições de choque, depois que os manifestantes já haviam jogado ao menos três bombas contra a porta da instituição.
No meio da confusão, o vereador Brizola Neto (PDT-RJ) tentava deixar a Câmara, cercado de seguranças. Ele questionava, aos gritos: "Cadê a polícia?"
Após as ameaças, dois grupos do choque cercaram os manifestantes e os dispersaram com bombas de efeito moral e balas de borracha.
As manifestações dessa segunda-feira foram organizadas para protestar contra a violência da PM, que entrou em confronto com os professores na semana passada. Tanto a rede municipal quanto a rede estadual estão em greve desde o dia 8 de agosto.



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