A paralisação dos rodoviários no
município do Rio, prevista para durar 48 horas, causa transtornos aos
cariocas desde as primeiras horas da manhã desta terça-feira (13). A
cidade tem menos de 10% da frota dos ônibus urbanos em circulação, de acordo com
o secretário municipal de Transportes, Alexandre Sansão, que fez um
prognóstico pouco animador para o dia em entrevista à rádio CBN. De
acordo com o secretário, o Rio vive um dia atípico, em que, apesar do
envolvimento de diversos órgãos do poder público, será difícil evitar os
transtornos. A paralisação de motoristas e cobradores, decidida na
tarde de segunda-feira após uma reunião sem acordo, entre representantes
dos grevistas e o sindicato patronal, Rio Ônibus, não teve, como na
semana passada, depredações em massa. Mas já há relatos de ataques a dez
coletivos estacionados na garagem da empresa Jabor, na Zona Oeste.
A população do Rio e da região metropolitana
sofre para chegar ao trabalho. Trens, metrô e barcas montaram um
esquema especial para atender a demanda maior nesta terça-feira, com
funcionamento semelhante ao dos horários de pico ao longo de todo o dia.
Estações e composições estão operando com lotação máxima. O esquema
especial faz parte do plano de contingência anunciado na noite de segunda-feira pela prefeitura.
Conseguir
um táxi esta manhã é missão difícil. As cooperativas informam por
telefone que há grande espera pelas chamadas, e nas calçadas,
principalmente da Zona Sul,
é grande a disputa por um veículo disponível. O problema pode afetar
quem chega à cidade pelos aeroportos Santos Dumont e Galeão, onde
normalmente já há fila de espera pelos táxis credenciados.
O número de veículos particulares em
circulação também aumentou de forma expressiva. Os engarrafamentos são
grandes em todas as vias que levam ao Centro. Esta manhã, Sansão
anunciou também que não serão emitidas multas para as placas de veículos particulares circulando pelos corredores exclusivos de ônibus, como na Avenida Brasil e nas pistas do BRS (Bus Rapid Service).
Abusos
Para complicar ainda mais o já caótico
cenário dos transportes, surgem denúncias de abusos de motoristas de
vans e táxis. Como há grande procura
por esse tipo de veículo, chegaram à secretaria relatos de taxistas
operando com cobrança “no tiro” – ou seja, com valores pré-determinados,
mais altos que o das corridas normais, no taxímetro. Os valores nas
vans também subiram.
A Secretaria Municipal de Transportes
informou que há fiscalização, mas dificilmente será possível coibir
todos os abusos, diante da complexidade do dia sem ônibus em circulação.
A um mês do início da Copa do Mundo, o
cenário de greves preocupa as autoridades no Rio, e ameaça criar mais
uma onda de repercussão internacional negativa para a cidade. O
noticiário sobre o Rio
mundo afora, que voltou a destacar episódios de violência e dúvidas
sobre a eficiência das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), agora
recebe também alertas sobre dificuldades de transportes e até a
possibilidade de greve das polícias militar e civil às vésperas da
competição.
Desde a segunda-feira estão de braços cruzados
os professores das redes municipal e estadual do Rio. Vigilantes
particulares também dão sinais de que pretendem parar. Servidores
federais do Ministério da Cultura, em reunião com
80 representantes na segunda-feira, em Brasília, decidiram começar
nesta quinta-feira uma paralisação em todos os 30 museus do Instituto
Brasileiro de Museus (Ibram). A visita a museus faz parte da agenda
turística paralela à de grandes competições esportivas, e foi um dos
trunfos para a grande aprovação popular dos Jogos Olímpicos de 2012 em
Londres.
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