29 de agosto de 2013

Margarida Maria Alves - Uma Mulher de Luta

Uma flor com vários espinhos
Margarida Maria Alves, uma verdadeira 'Mulher de Fato' Margarida Maria Alves nasceu na cidade de Alagoa Grande, interior da Paraíba, no dia 5 de março de 1933. Uma das principais sindicalistas mulheres da sua época e a primeira da história da Paraíba, Margarida atuou na luta pela terra, especificamente em ações trabalhistas (carteira assinada, 13º salário, jornada de trabalho de 8h, férias, entre outros direitos), no período da ditadura militar.
Dentro da sua batalha pelos agricultores, a caçula de uma família de nove irmãos foi eleita presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande em 1973, e fundou o Centro de Educação e Cultura do Trabalhador Rural. Durante o período que esteve à frente do sindicato, 12 anos, foram movidas mais de 600 ações trabalhistas contra os usineiros e senhores de engenho da região da Paraíba, o que resultou em um confronto direto com o proprietário da maior usina de açúcar da região, a Usina Tanques, além de não agradar outros senhores de engenho e de fazendeiros que trabalhavam com o plantio da cana de açúcar.
O proprietário da Usina Tanques também era o líder do ‘Grupo da Várzea’, formado por diversos latifundiários que não aceitavam as mudanças que estavam ocorrendo no Brasil.
Por causa das ações movidas contra os proprietários de terras, Margarida passou a receber diversas ameaças, no entanto, ao invés de desistir da luta e ficar calada, ela falava abertamente sobre o que estava passando.
O adeus de uma flor
“É melhor morrer na luta do que morrer de fome”, dizia Margarida Maria Alves
Na véspera do seu assassinato, enquanto participava de um evento público, Margarida Maria Alves falou mais uma vez sobre as ameaças, ou melhor, sobre as ‘recomendações’ que tinha recebido: ela deveria parar de ‘criar caso’.
No dia 12 de agosto de 1983, a sindicalista estava na porta de casa, vendo o seu filho brincar com outras crianças na rua, quando um carro parou na sua rua. Um homem desceu e foi em sua direção. Com uma escopeta calibre 12, o jagunço se aproximou dela e disparou contra o seu rosto. Assim como o seu filho, o marido de Margarida, que estava na sala assistindo televisão, também presenciou o crime. 
Com a gravidade do ferimento, Margarida Maria Alves não resistiu e morreu no local. O crime foi considerado político, e causou a comoção da opinião pública local, estadual, nacional e internacional.
Mataram a flor, mas não calaram a voz
Após o seu assassinato, Margarida Maria Alves se tornou um símbolo político pelos direitos dos trabalhadores rurais, em especial das mulheres que atuam no campo.
Em 1988 recebeu, postumamente, o Prêmio Pax Christi Internacional (Paz de Deus, em latim), criado por um movimento católico em respeito aos direitos humanos, justiça e reconciliação em regiões devastadas por conflitos.
No ano 2000, seu nome intitulou a mobilização de mulheres trabalhadoras rurais em Brasília: Marcha das Margaridas. Durante a passeata, que acontece anualmente no mês de agosto, as agricultoras reivindicam melhorias para as pessoas que trabalham nos campos e nas florestas de todo o Brasil. O ato é organizado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) e Central Única dos Trabalhadores (CUT).
Em 1994, o antigo Centro de Defesa dos Direitos Humanos da Arquidiocese da Paraíba, criado no início da década de 70, recebeu o nome de Fundação de Defesa dos Direitos Humanos Margarida Maria Alves (FDDHMMA). A entidade é atuante na defesa dos Direitos Humanos, principalmente em atividades de educação popular, promovendo o acesso à justiça.
Mais sobre a vida de Margarida
Museu
Na cidade de Alagoa Grande a história de Margarida Maria Alves é guardada através das paredes de sua própria casa. No local da sua morte foi criado um museu, com fotos, recortes de jornais (O Norte, Correio Brasiliense, Jornal do Brasil, Folha de São Paulo, Le Monde de Paris entre outros), cartas, documentos, roupas e objetos utilizados pela sindicalista paraibana.
O museu fica localizado na Rua da Olinda, nº 624, e funciona de segunda até sexta-feira, das 8h às 18h.
Filme
Partindo do assassinato de Margarida Maria Alvez, o filme ‘Uma questão de terra’ faz uma análise dos diversos níveis de violência no campo. Em um parte do material, entrevista com o marido da sindicalista, que conta como aconteceu o assassinato.
Também é feito um questionamento sobre o problema fundiário no Brasil, especificamente na Paraíba. 
O filme termina com os três dias de votação da reforma agrária na Assembleia Nacional Constituinte de 1988.
Veja um trecho de ‘Uma questão de terra’


Ficha técnica
Título: Uma questão de terra
Duração: 80 min e 0 seg.
Ano: 1988
Cidade: Brasília UF(s): DF País: Brasil
Gênero: Documentário
Subgênero:
Cor: Colorido
Ficha Técnica
Direção: Manfredo Caldas
Roteiro: Manfredo Caldas
Portal Mulher de Fato (Dani Rabelo)

Nenhum comentário:

Postar um comentário